O preço de pertencer - parte 2

 

Quando a comunhão se torna um privilégio!

Existe uma diferença muito grande entre uma igreja organizada e uma igreja elitizada.

Uma igreja organizada cria oportunidades para todos participarem.

Uma igreja elitizada cria condições para que apenas alguns consigam permanecer.

A elitização da comunhão não acontece de um dia para o outro. Ela surge aos poucos, escondida em pequenos detalhes que parecem inofensivos.

  • É a camiseta obrigatória para o congresso.
  • É a roupa padronizada para o departamento.
  • É a contribuição mensal do grupo.
  • É o presente para a líder, pastor ou membro.
  • É a inscrição para o retiro.
  • É o jantar de confraternização em um restaurante caro.
  • É a lembrança do evento.

Separadamente, cada uma dessas despesas parece pequena. Mas juntas elas se transformam em um filtro silencioso. Não um filtro espiritual, mas financeiro.

Pouco a pouco, quem possui melhores condições participa de tudo. Quem vive com dificuldades financeiras começa a fazer escolhas dolorosas.

Alguns deixam de ir aos encontros. Outros inventam desculpas. Há quem diga que está doente quando, na verdade, não pode pagar. Há irmãs que choram escondidas porque gostariam de participar, mas sabem que não conseguem acompanhar o ritmo das despesas.E até mesmo comprometem o seu planejamento financeiro para conseguir levar um filho, atribuindo o sacrificio ao permanecer no caminho correto. 

O mais triste é que, muitas vezes, ninguém percebe.

A exclusão financeira raramente é anunciada.

Ela é sentida.

Quando a participação em um departamento depende da capacidade de comprar, viajar, contribuir ou acompanhar os gastos do grupo, a comunhão deixa de ser um presente da graça e passa a funcionar como um clube acessível apenas para quem consegue pagar o custo de permanência.

O Evangelho nunca foi assim.

Jesus caminhava entre pescadores, viúvas, cobradores de impostos, pessoas simples e gente sem qualquer prestígio social.

Ele nunca exigiu que alguém tivesse recursos para fazer parte do Reino.

Pelo contrário, os mais pobres eram acolhidos com a mesma dignidade que os ricos.

Infelizmente, algumas comunidades cristãs acabam reproduzindo a lógica do mundo.

No mundo, pertencem os que podem pagar! Vemos cada vez mais, promoções, eventos, retiros, shows, onde você faz parte do "Clube" arca com os custos.

 Mas...O Reino de Deus, pertence aos que foram alcançados pela graça, de graça! Fazer parte do "clube" aqui, significa aceitar a regras de Deus, que são condutas que elevam o homem decaido e o mantém em nova criatura até o segundo advento de Cristo.

Quando uma irmã humilde começa a evitar os eventos da igreja porque sabe que sempre haverá uma nova despesa, algo está errado. Quando um jovem deixa de participar do grupo porque não consegue comprar a camiseta oficial, algo está errado. Quando uma família calcula o orçamento do mês e percebe que servir na igreja está se tornando financeiramente inviável, algo está errado!

Cabe a igreja de Cristo ( que somos nós), abrir a boca e relatar esses abusos. E ainda aos lideres religiosos, voltarem a essencia da adoração, simples e verdadeira, que não exige cobranças. 


Talvez ninguém tenha dito explicitamente: "Se você não pagar, não participe."  Mas as expectativas comunicam essa mensagem de forma silenciosa.

A exclusão nem sempre acontece por palavras, ações ou separação. Às vezes, ela acontece pela cultura do local.

A igreja é o lugar mais democratico de todos os ambientes sociais, porém precisamos lembrar que nem todos vivem a mesma realidade financeira.

Enquanto alguns compram uma nova roupa para cada evento sem comprometer o orçamento, outros precisam escolher entre participar da programação da igreja ou comprar alimentos para casa.

Por isso, cabe as lideranças, aos regentes, aos pastores, pensar: Será que temos pensado nessas pessoas quando planejamos nossas atividades? Ou estamos criando uma igreja confortável apenas para quem possui estabilidade financeira?

A igreja primitiva nos ensina um caminho completamente diferente.

Em vez de aumentar os custos para participar da comunhão, ela diminuía as dificuldades de quem tinha menos.

Os que possuíam recursos repartiam com os necessitados. Ninguém era constrangido por sua pobreza; pelo contrário, era amparado por ela.

Esse é o verdadeiro espírito do Evangelho.

A comunhão cristã deve ser um lugar onde o rico aprende a repartir, e não onde o pobre aprende a se sentir inadequado e exluido. 

Quando nossas programações, departamentos e grupos exigem investimentos constantes, precisamos nos perguntar:

Estamos aproximando as pessoas de Cristo ou criando barreiras que Cristo jamais colocou?

Talvez a maior prova de amor ao próximo não seja realizar um evento cada vez mais bonito, mas organizar uma programação em que até a irmã mais simples possa participar sem sentir vergonha daquilo que não pode oferecer.

Porque, no Reino de Deus, o valor de uma pessoa nunca será medido pelo que ela consegue pagar, mas pelo preço que Cristo já pagou por ela.

Comentários

Postagens mais visitadas