Já pensou em desistir de tudo? Parece que sua alma esfriou?
Quando a alma esfria: uma orientação para quem sente que Deus está distante
Há momentos na caminhada cristã em que tudo parece mudar de repente.
Você vinha orando, jejuando, lendo a Bíblia, buscando a Deus com alegria. De repente, perde a força. A oração fica pesada, a Bíblia parece fechada, o jejum se torna impossível e até pecados que pareciam vencidos voltam com intensidade.
A primeira pergunta que surge é: "O que aconteceu comigo?"
Muitos chegam à conclusão de que estão debaixo de um ataque espiritual. Outros acreditam que Deus se afastou. Alguns pensam que perderam a fé.
Mas, antes de qualquer conclusão, é preciso olhar para o coração com sinceridade.
A Bíblia nos mostra que a vida espiritual não acontece isoladamente. Somos espírito, alma e corpo. Muitas vezes, aquilo que chamamos de "esfriamento espiritual" envolve também feridas emocionais, cansaço, preocupações e pecados que foram encontrando espaço sem que percebêssemos.
O inimigo não precisa convencer um cristão de que Deus não existe. Basta convencê-lo de que Deus não quer mais ouvi-lo.
E essa é uma das maiores mentiras que um filho de Deus pode acreditar.
A carne parece mais forte
Uma das características desse período é sentir que existe um conflito dentro de nós.
O espírito deseja buscar a Deus.
Mas a carne parece mais forte.
A oração exige um esforço enorme. A vontade de abrir a Bíblia desaparece. O entretenimento parece muito mais atraente do que a comunhão com Deus.
Isso não significa necessariamente que Deus se afastou.
Muitas vezes significa apenas que a carne foi alimentada por tempo suficiente para voltar a dominar algumas áreas da vida.
A boa notícia é que esse conflito já foi descrito nas Escrituras. O apóstolo Paulo também falou sobre essa luta entre desejar fazer o bem e perceber outra força agindo em sua natureza humana.
Quem luta ainda não perdeu.
Nem sempre o maior problema é o pecado que aparece
Às vezes pensamos que nosso maior problema é a masturbação, a pornografia, a fofoca, a reclamação ou qualquer outro pecado visível.
Mas frequentemente esses pecados são apenas sintomas.
Por trás deles podem existir:
feridas familiares nunca tratadas;
ressentimentos antigos;
estresse financeiro;
preocupações com a saúde;
ambientes tóxicos;
excesso de entretenimento;
culpa acumulada.
É difícil vencer um sintoma enquanto a raiz continua viva.
Feridas também cansam a alma
Existem dores que permanecem escondidas durante anos.
Mágoas com os pais.
Decepções com líderes.
Injustiças.
Palavras que nunca foram esquecidas.
Essas feridas consomem energia espiritual.
Não porque Deus deixa de amar quem sofre.
Mas porque a alma cansada encontra dificuldade para descansar na presença de Deus.
Perdoar não significa dizer que quem nos machucou estava certo.
Significa entregar a Deus uma dívida que não conseguimos cobrar.
É um processo.
O ambiente também nos influencia
Há pessoas que vivem cercadas por reclamação, críticas e fofocas.
Depois de algum tempo, sem perceber, começam a falar como todos ao redor.
A Bíblia nos alerta que as companhias influenciam nossos costumes.
Por isso, às vezes a mudança começa com atitudes simples:
mudar de assunto;
permanecer em silêncio quando a conversa se torna pecaminosa;
escolher melhor aquilo que ouvimos diariamente.
Nem sempre podemos mudar de ambiente imediatamente.
Mas podemos decidir que ele não definirá nosso coração.
E quando parece existir uma batalha espiritual?
Como cristãos, cremos que existe batalha espiritual.
Também sabemos que o medo, o estresse, a ansiedade e a culpa podem produzir sintomas muito parecidos com aquilo que muitas pessoas atribuem exclusivamente ao mundo espiritual.
Por isso, é importante evitar dois extremos.
O primeiro é negar completamente qualquer dimensão espiritual.
O segundo é atribuir toda dificuldade a demônios, esquecendo que Deus também trabalha através do arrependimento, da renovação da mente e da cura das feridas da alma.
Se você sente medo, opressão, pesadelos ou pensamentos intrusivos, leve isso a Deus em oração. Se possível, procure ajuda de um pastor ou de um cristão maduro em quem você realmente confie. Se esses sintomas forem intensos ou persistentes, considere também conversar com um profissional de saúde mental. Cuidar da mente não diminui a fé; em muitos casos, faz parte do cuidado que Deus oferece.
Como começar a voltar?
Talvez você pense que precisa recuperar primeiro a força para depois buscar a Deus.
Mas o evangelho ensina justamente o contrário.
Você busca a Deus sem forças.
Não espere sentir vontade para orar.
Ore sem vontade.
Não espere sentir emoção para abrir a Bíblia.
Abra mesmo sem sentir nada.
Não espere vencer todos os pecados para voltar.
Volte enquanto ainda está lutando.
Deus nunca exigiu que alguém chegasse até Ele completamente restaurado.
Ele convida justamente os cansados.
Um recomeço simples
Se você sente que esfriou espiritualmente, não tente fazer tudo de uma vez.
Comece pequeno.
Leia um salmo por dia.
Faça uma oração sincera, mesmo que dure apenas alguns minutos.
Peça perdão pelos pecados que você já reconhece.
Entregue a Deus as pessoas que ainda ferem seu coração.
Reduza aquilo que está ocupando o lugar da comunhão com Ele.
E lembre-se de uma verdade que nunca muda:
Quem deseja voltar para Deus já está respondendo ao chamado dEle.
Talvez hoje você não sinta a presença de Deus como antes.
Mas a ausência de uma sensação não significa a ausência do Senhor.
Ele continua sendo o Pai que espera, acolhe, fortalece e restaura aqueles que voltam para casa.

.jpg)
Comentários