Que músicas escolher ouvir?
Sinceramente, essa é uma das perguntas que mais me fazem. Os novos convertidos que o digam!
"Música secular pode?" "Mas eu gosto de Zezé Di Camargo & Luciano, vou ter que parar de ouvir?" Essas e muitas outras dúvidas surgem quando alguém começa sua caminhada cristã.
O maior problema é que, quando se trata de música, até mesmo as chamadas músicas gospel precisam passar por uma análise cuidadosa.
A música foi criada por Deus para Sua glória e adoração. Entretanto, Satanás desejou para si a honra e a adoração que pertencem exclusivamente à Trindade. Após sua queda, passou a influenciar a humanidade também por meio da arte, assim como Deus inspira os homens para Sua obra.
A diferença é que a arte inspirada por Deus tem como objetivo glorificá-Lo, enquanto a arte influenciada pelo orgulho busca exaltar o homem ou a si mesma. Por essa razão, muitos dos chamados "louvores de exaltação pessoal", de consolo ou de autoafirmação, nos quais o homem se torna o centro da mensagem, não podem ser considerados verdadeiras canções de adoração.
É claro que gostamos de ouvir mensagens de vitória, de superação e de esperança. Gostamos de ouvir que venceremos as lutas, que Deus está conosco e que o inimigo não prevalecerá. Porém, no culto público, o foco principal deve ser sempre Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo.
Além disso, a música é composta por letra, melodia e ritmo. E é justamente nesse ponto que precisamos ter discernimento.
As letras costumam ser mais fáceis de avaliar, mas quando entramos no campo dos ritmos e das melodias, a questão se torna mais complexa. Isso acontece porque somos fortemente influenciados pela cultura na qual estamos inseridos e, muitas vezes, aceitamos como normal aquilo com que crescemos.
Por exemplo, o forró é um ritmo popular na cultura brasileira. Alguns artistas gospel, como Cassiane e Rose Nascimento, possuem músicas com influência desse estilo musical, tornando-as mais alegres e animadas.
Isso é necessariamente errado? A questão exige reflexão. Existem ritmos que, historicamente, estiveram ligados a contextos religiosos específicos ou a práticas incompatíveis com a fé cristã. Nesses casos, é necessário discernimento para avaliar se determinado estilo contribui para a adoração ou se desvia a atenção do propósito principal: glorificar a Deus.
Se essa análise já é necessária dentro do universo gospel, imagine quando falamos da música secular. Então voltamos à pergunta inicial: que músicas devemos escolher ouvir?
Em muitos casos, será necessário abrir mão de determinadas canções se elas promovem valores contrários aos ensinamentos bíblicos, exaltam o pecado, a sensualidade excessiva ou colocam o homem acima de Deus.
"Mas eu gosto de moda de viola!"
Talvez não exista problema no estilo musical em si. A questão principal está na mensagem transmitida, nos valores defendidos e na influência que aquela música exerce sobre sua vida espiritual.
Sei que este é um tema polêmico e que não conseguirei explorá-lo completamente neste artigo. Por isso, no próximo texto continuaremos essa reflexão e compartilharei uma lista pessoal de louvores que deixei de ouvir, explicando os motivos que me levaram a essa decisão.
Referências bíblicas sugeridas
- Colossenses 3:16 — "Habite ricamente em vós a palavra de Cristo..."
- Efésios 5:19 — "Falando entre vós com salmos, hinos e cânticos espirituais..."
- 1 Coríntios 10:31 — "Portanto, quer comais, quer bebais ou façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus."
- Filipenses 4:8 — Sobre ocupar a mente com aquilo que é puro, justo e digno de louvor.
- Romanos 12:2 — Não se conformar com os padrões deste mundo.
- Isaías 14:12-15 (interpretação tradicional sobre a queda de Lúcifer).
- Ezequiel 28:12-17 (texto frequentemente utilizado em estudos sobre o orgulho e a queda de Satanás).

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