O preço de pertencer - parte 1
Quando a comunhão passa a ter mensalidade!
Jesus nunca cobrou ingresso para que alguém pudesse segui-lo.
Os discípulos deixaram tudo para seguir a Cristo, mas nunca foram orientados a comprar uma roupa específica para participar de um culto, pagar uma contribuição obrigatória para fazer parte de um grupo ou gastar dinheiro para serem aceitos entre os irmãos.
Entretanto, em muitos ambientes cristãos modernos, pertencer a um grupo acaba tendo um preço financeiro.
Não é o preço do discipulado.
É o preço da instituição.
São as contribuições mensais do grupo. São as camisetas dos congressos. São as roupas padronizadas para eventos. São as lembrancinhas obrigatórias. São os encontros em restaurantes caros. São as viagens, os retiros, as inscrições e tantas outras despesas que, isoladamente, podem parecer pequenas, mas que, somadas, se tornam um peso para muitos irmãos.
O problema não está em alguém desejar contribuir ou participar de um evento.
O problema começa quando essas despesas deixam de ser uma escolha e passam a ser uma expectativa. Quando quem não pode pagar sente vergonha. Quando quem diz "não tenho condições" passa a ser visto como desinteressado, frio ou menos comprometido com a obra de Deus.
A igreja é chamada para acolher pobres e ricos na mesma mesa.
A comunhão não pode depender do saldo bancário.
A Bíblia nos ensina que Deus ama quem contribui com alegria (2 Coríntios 9:7). Alegria pressupõe liberdade. Onde existe constrangimento, comparação ou obrigação social, a oferta perde seu propósito espiritual.
Em Tiago 2:1-4, somos advertidos contra qualquer forma de acepção de pessoas. Embora o texto trate da distinção entre ricos e pobres, seu princípio continua atual: ninguém deve ocupar um lugar de maior ou menor importância por causa de sua condição financeira.
Também vale perguntar:
Será que estamos facilitando ou dificultando a comunhão?
Será que uma irmã humilde consegue participar das atividades da igreja sem precisar escolher entre comprar comida para casa ou adquirir a roupa do evento?
Será que estamos convidando as pessoas para conhecer Cristo ou apresentando uma lista de despesas antes mesmo de elas criarem raízes na fé?
A igreja primitiva fazia exatamente o contrário.
Quem tinha mais ajudava quem tinha menos.
As necessidades eram supridas em amor, e não criadas por expectativas sociais.
Seguir Jesus realmente tem um custo.
Esse custo envolve renúncia ao pecado, obediência, santidade e perseverança.
Mas o Evangelho nunca ensinou que o acesso à comunhão deveria depender da capacidade financeira de alguém.
Se para permanecer em um grupo cristão uma pessoa precisa constantemente gastar dinheiro para ser incluída, talvez seja hora de refletir se estamos construindo uma comunidade centrada em Cristo ou uma cultura onde pertencer tem um preço.
A pergunta que fica é simples:
Se Jesus aparecesse hoje em nossas igrejas sem dinheiro para comprar a camiseta do congresso, sem condições de pagar a contribuição mensal do grupo e usando roupas simples, Ele seria acolhido da mesma forma?

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